AQUI À VOLTA – Desenhos da vizinhança no primeiro desconfinamento

Pedro Figueiredo

A exposição está aberta nas seguintes datas e horários:
Sextas-feiras das 18h00 às 21h00
5 março das 10h às 12h
6 março das 14h30 às 19h30
17 março das 12h00 às 14h30
Entrada livre

Após o primeiro embate da pandemia, em maio 2020, voltámos à rua!
Voltámos à rua e eu voltei a desenhar após anos sem risco nem sarrabisco.
A pouco e pouco, com o tempo livre dos desempregados da era Covid, sentado no chão ou em pé, com uma prancha e um bloco de papel cavalinho A3, desenhei e desenhei e concentrei as frustrações no lápis, focando a atenção na realidade real da cidade, a realidade que nos havia sido temporariamente subtraída, proibida.
Do estranho novo-mundo de ruas quase vazias, foram reemergindo os meus caros edifícios vizinhos; os edifícios com que me acompanham , com que me deparo todos os dias:
– O Perpétuo Socorro que eu há muito já desejava rabiscar por ser a Arquitectura incrível que se vê (só saiu bem à terceira vez e foi desenhado de pé frente à loja de música da Rua da Constituição)
– O telhado de vidro da genial entrada do infantário Osmope, a antiga fábrica de tabaco do Lima, fábrica A Lealdade
– O Cinema Júlio Diniz, uma memória cor de rosa mesmo aqui à beira
(estava um dia de calor e ninguém na rua, excepto eu a desenhar, lembro-me bem);
– Os blocos do Bairro Luso/Lima, com o enorme e envolvente Pinheiro Manso, as texturas do Granito, os azulejos às ondinhas do mar, o betão armado à vista e as “franjinhas” em telha de barro
– O edifício da Farmácia Saúde, brilhante composição “art-deco” a rematar o gaveto curvo Costa Cabral/Alegria, e que já foi uma feliz encomenda de uma vizinha
– O inesquecível Palacete de azulejos verdes da Rua do Bonjardim, com o seu portão Arte Nova, pura composição, movimento, expressão, uma das mais belas ruínas da cidade.
Em Março e Abril 2020 por vezes parecia ser verdade a máxima “se não houver ninguém para ver, é porque não existe”; acto contínuo, e como não havia ninguém para ver nem usufruir das ruas da cidade, a “cidade não existia” (não existiu)…até ser resgatada pelos meus lápis, canetas, canetas-pincel, e pela minha atenção e amor às coisas: A cidade faz parte de nós e nós fazemos parte dela, temos que nos reencontrar mais vezes, as vezes que for preciso.

Pedro Figueiredo
Nasceu em 1975 a 300 km do Porto, sendo vizinho do Perpétuo Socorro desde 2005.
Cursou Arquitectura na Faculdade da Universidade do Porto, trabalhando em Projectos até à crise financeira; Trabalhou em muitas outras coisas desde então – sobretudo desde 2012/13 nos “Passeios do Piorio”/Theworsttours – passeios sobre a cidade e Política Urbana/Urbanismo/Arquitectura; e também como Desenhador desde o início da crise Covid.

Ativo 3

Rua de Costa Cabral 128, 4200-208 Porto

(Projeto do Perpétuo desenvolvido em parceria com a Opium)